A tabela chinesa diz «menino» em 57 % das suas casas
Publicado a 17/09/2026 · 4 min de leitura · Calculadoras do dia a dia
Antonio Delgado — Redator de Tradições e Lazer na OneKitly
Simbolismo · Calendários
Verificado a partir de 3 fontes
A tabela é uma grelha: vinte e oito linhas para as idades lunares de 18 a 45 anos, doze colunas para os meses lunares de conceção, e um B ou um G em cada uma das 336 casas. A contagem dá 192 «menino» e 144 «menina» — 57,1 % contra 42,9 %. Esse único facto resolve quase tudo o que se pode dizer. Consultada uniformemente, a tabela previria «menino» para 57 % das gravidezes, ao passo que a razão de masculinidade observada à nascença ronda os 51 % no mundo: a tabela está pois enviesada em seis pontos antes sequer de se falar de acerto. Nenhum mecanismo é proposto e nenhum foi encontrado: a ferramenta traz a tabela porque as pessoas a procuram, imprime o aviso ao lado da resposta e aproxima a idade e o mês lunares a partir das tuas datas em vez de aplicar o verdadeiro calendário lunar — o que diz no ecrã. Uma ecografia entre as dezoito e as vinte semanas é a resposta à pergunta que se faz a esta tabela.
336 casas, 192 delas «menino» e 144 «menina». A tabela não é sequer uma moeda equilibrada, e a proporção real à nascença ronda os 51 % de meninos — é toda a medição que este artigo tem para oferecer.
A idade lunar não é a tua idade
As linhas são indexadas por uma contagem do Leste Asiático em que se tem um ano à nascença e se ganha um ano no ano novo lunar, não no aniversário — por isso a mesma pessoa pode ser contada um ou dois anos mais velha do que a sua idade ocidental consoante o momento do ano em que nasceu e aquele em que a tabela é consultada. As colunas são meses lunares, que derivam até um mês em relação ao calendário gregoriano e são corrigidos por um mês intercalar mais ou menos de três em três anos. A ferramenta aproxima ambos a partir das datas que introduzes e di-lo; uma tabela consultada com uma idade ocidental e um mês gregoriano é lida na linha e na coluna erradas.
De onde vem, tanto quanto se pode dizer
O relato habitual diz que a tabela foi encontrada num túmulo da dinastia Qing perto de Pequim e que tem uns setecentos anos. A afirmação repete-se em todo o lado e não se documenta em nenhum: não há relatório de escavação publicado, nem objeto catalogado, nem edição erudita da grelha. Merece ser dito com a mesma franqueza que a contagem das casas, porque é a antiguidade que persuade. O que se pode dizer sem fonte é que tabelas desta forma circulam largamente no mundo sinófono e há muito tempo, e que nenhuma versão alguma vez foi mostrada acompanhar o resultado.
| O que a tabela diz | Casas | Proporção |
|---|---|---|
| Menino | 192 | 57,1 % |
| Menina | 144 | 42,9 % |
| Observado à nascença, no mundo | — | cerca de 51 % de meninos |
Perguntas frequentes
- Acertou com o meu primeiro filho. Isso conta alguma coisa?
- Por si só não — uma tabela que diz «menino» em 57 % das suas casas acertará mais ou menos metade das vezes por acaso, e cada família que acertou lembra-se disso enquanto os erros se esquecem. É esse o mecanismo que mantém estas tabelas vivas, o mesmo que está por trás das meias da sorte e dos horóscopos bem-sucedidos. Dois acertos seguidos acontecem a um quarto das famílias sem razão nenhuma.
- Porque é que a ferramenta cobre só idades lunares de 18 a 45?
- Porque essa é a extensão da tabela tal como circula — vinte e oito linhas e não mais. Fora desse intervalo não há nada para consultar, e a ferramenta di-lo em vez de extrapolar uma linha que não existe. Inventar casas seria a única coisa pior do que reproduzir as que existem.
- O que determina realmente a resposta?
- Qual dos espermatozoides do pai chega primeiro ao óvulo — portador de um cromossoma X ou de um Y — decidido na fecundação e não influenciado por nada que o calendário de qualquer dos pais possa registar. Torna-se visível na ecografia a partir de cerca de dezoito semanas, e uma análise de sangue não invasiva pode lê-lo mais cedo onde é oferecida. São as duas formas de saber, e esta tabela não é uma terceira.
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Esta tabela é folclore sem base científica e sem mecanismo proposto. Não substitui uma ecografia nem o conselho de uma parteira ou de um médico.
Fontes
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