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Bomba de calor ou caldeira a gás: o SCOP que os seus preços locais exigem

Publicado a 28/07/2026 · 12 min de leitura · Calculadoras do dia a dia

Marco Bianchi

Marco BianchiRedator de Casa, Bricolage e Automóvel na OneKitly

Renovação · Materiais

Verificado a partir de 6 fontes

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Em resumo

Uma bomba de calor só poupa no custo de funcionamento quando o seu coeficiente de desempenho sazonal bate o preço local da eletricidade a dividir pelo do gás, multiplicado pelo rendimento da caldeira sobre o quilowatt-hora que o contador realmente factura. Com os preços domésticos do segundo semestre de 2025 do Eurostat, esse SCOP de equilíbrio vale 1,53 em Portugal, 1,57 em França, 1,77 em Itália, 2,08 na UE, 2,46 em Espanha e 2,79 na Alemanha. A consequência é dura e raramente dita: numa casa que precisa de 12 000 kWh de calor por ano, uma bomba com SCOP de 3,5 poupa cerca de 1 076 € por ano em França e cerca de 337 € na Alemanha — o mesmo equipamento, a mesma casa, uma poupança três vezes maior. Baixe o SCOP para 2,5, que é o que dão tipicamente radiadores velhos de alta temperatura, e a poupança francesa cai para cerca de 724 € enquanto o número alemão fica negativo: cerca de 193 € por ano pior do que a caldeira a gás que substitui, e Espanha aterra a menos de 20 € do equilíbrio exato. Nenhum apoio repara isso. Um subsídio encurta um retorno que já existe reduzindo o capital a recuperar; onde a poupança anual é zero ou negativa, não tem nada para encurtar. É por isso que a relação de preços eletricidade/gás, e a temperatura de ida que fixa o SCOP atingível, vêm antes da candidatura ao apoio e não depois.

Unidades exteriores de bomba de calor numa fachada sóbria.
Iban Lopez Luna · Pexels · Pexels

Antes de qualquer apoio, o preço da eletricidade a dividir pelo do gás fixa uma eficiência sazonal que a bomba de calor tem de bater só para igualar o custo de funcionamento. No final de 2025 esse número era 1,53 em Portugal e 2,79 na Alemanha — e sobre radiadores velhos uma bomba alemã pode custar mais a funcionar do que a caldeira que substitui.

Uma fórmula, e não é a do folheto

Uma caldeira a gás e uma bomba de calor vendem-lhe a mesma coisa: um quilowatt-hora de calor dentro de casa. A caldeira compra-o queimando gás com certo rendimento; a bomba compra-o movendo calor com eletricidade com certo coeficiente sazonal. Ponha os dois custos lado a lado e tudo se cancela menos uma comparação: a bomba é mais barata de operar quando o seu SCOP supera o preço da eletricidade a dividir pelo do gás, vezes o rendimento da caldeira. Essa única desigualdade é toda a decisão sobre custo de funcionamento, e os dois preços que nela figuram são publicados pelo Eurostat duas vezes por ano para cada Estado-membro.

Os preços usados em todo este artigo são os escalões domésticos do Eurostat para o segundo semestre de 2025, com todos os impostos e taxas: eletricidade para um agregado que consome 2 500 a 4 999 kWh por ano, e gás para 20 a 199 GJ. Por quilowatt-hora isso dá 24,35 cêntimos de eletricidade e 14,05 de gás em Portugal, 25,61 e 14,36 em França, 29,66 e 14,81 em Itália, 28,96 e 12,28 na UE, 26,69 e 9,55 em Espanha, e 38,69 e 12,23 na Alemanha. A Espanha tem o gás mais barato do grupo e a Alemanha a eletricidade mais cara, e entre as duas produzem os dois casos mais duros para uma bomba de calor na Europa ocidental.

O contador de gás favorece a caldeira em exatamente dez por cento

Uma caldeira de condensação é muitas vezes vendida como «98 % de rendimento», e esse número é real mas mede-se contra o poder calorífico inferior do gás — a energia libertada sem recuperar o calor latente do vapor de água dos fumos. O seu contador não lhe factura em poder calorífico inferior. O gás é medido e tarifado sobre o poder calorífico superior, que inclui esse calor latente, e a tabela de poderes caloríficos do Eurostat resolve a proporção com precisão: para gás natural em consumo interno em 2023, o inferior vale exatamente 0,900 vezes o superior tanto na linha francesa como na alemã. Uma caldeira anunciada a 98 % sobre o inferior entrega portanto 88,2 % de cada quilowatt-hora que lhe é realmente facturado.

Esquecer isto é o erro aritmético mais frequente de toda a comparação, e cai sempre para o mesmo lado: faz a caldeira parecer cerca de um décimo melhor do que é, e por isso sobe outro tanto o SCOP que a bomba tem de atingir. Na Alemanha essa é a diferença entre um SCOP de equilíbrio de 2,79 e um de 3,10 — a diferença entre uma máquina que talvez sirva nos radiadores existentes e uma que certamente não serve. Todos os números deste artigo usam 88,2 % para a caldeira, que corresponde a uma de condensação bem afinada; uma caldeira velha sem condensação em instalação real anda mais perto de 70 %, o que desloca toda a comparação de forma decisiva a favor da bomba de calor.

A mesma máquina, a mesma casa, seis respostas diferentes

Pegue numa casa que precisa de 12 000 kWh de calor por ano — um número que o seu instalador calcula sobre o edifício, não numa tabela — e ponha-lhe seis vezes a mesma bomba de calor ar-água. Com um coeficiente sazonal de 3,5, poupa cerca de 1 077 € por ano em Portugal, 1 076 em França, 998 em Itália, 678 na média da UE, 384 em Espanha e 337 na Alemanha. Nada difere no equipamento. Nada difere na casa. Toda a amplitude, mais de um fator três entre o melhor e o pior caso, é a relação local de dois preços publicados.

Agora baixe o coeficiente sazonal para 2,5, que é mais ou menos o que uma bomba ar-água consegue quando tem de alimentar radiadores dimensionados para 70 graus em vez de piso radiante a 35. Portugal ainda poupa cerca de 743 €, a França cerca de 724 e a Itália cerca de 591. A média da UE cai para cerca de 281. A Espanha aterra em cerca de 18 € por ano, que depois de arredondar equivale a nenhuma poupança. E a Alemanha fica negativa: cerca de 193 € por ano pior do que a caldeira de condensação que substitui. Este é o caso que os folhetos nunca modelam, e é precisamente aquele em que uma reabilitação em edifício antigo tem mais probabilidade de cair.

Porque é que o apoio vem depois e não antes

Um subsídio reduz o capital que tem de recuperar; não toca na poupança anual com que o recupera. Exprima o retorno por cada 1 000 € de capital adicional sobre uma substituição de caldeira equivalente e o argumento torna-se inevitável. Com um coeficiente sazonal de 3,5 nessa casa de 12 000 kWh, cada 1 000 € demora 0,93 anos a devolver-se em França, 0,93 em Portugal, 1,00 em Itália, 1,48 na média da UE, 2,60 em Espanha e 2,96 na Alemanha. Um apoio de 5 000 € recompra portanto cerca de cinco anos em França e cerca de quinze na Alemanha — o mesmo apoio, a mesma máquina, três vezes o efeito.

E onde a poupança anual é negativa, o retorno não é longo — não existe, e nenhum apoio, seja qual for o tamanho, o cria. É o caso alemão dos radiadores de alta temperatura, e explica porque a pergunta séria numa visita técnica não é «a que tenho direito» mas «a que temperatura de ida este edifício pode ser aquecido». Entretanto a política pública já se mexeu: a diretiva reformulada do desempenho energético dos edifícios, Diretiva (UE) 2024/1275 de 24 de abril de 2024, pede aos Estados-membros que não deem incentivos financeiros a caldeiras autónomas a combustíveis fósseis a partir de 2025, com exceções estreitas. A comparação é portanto cada vez mais entre uma bomba de calor e uma caldeira comprada sem apoio.

O que mudaria este veredicto

Três coisas, e só uma diz respeito à máquina. Primeiro, a relação de preços é uma variável de política pública, não uma constante física: impostos e taxas eram 28,9 % do preço doméstico da eletricidade na UE no segundo semestre de 2025, contra 27,9 % seis meses antes, e qualquer governo que desloque uma taxa da eletricidade para o gás desloca todos os SCOP de equilíbrio deste artigo. Segundo, o SCOP de uma ficha técnica é medido nas condições dos regulamentos de conceção ecológica e rotulagem de aquecedores, Regulamentos (UE) 813/2013 e 811/2013, para um clima e uma temperatura de ida declarados; o que a sua instalação atinge depende do seu clima e dos seus emissores, e é na diferença entre os dois que vive a maioria dos proprietários desiludidos. Terceiro, uma bomba que substitui uma caldeira velha sem condensação em vez de uma boa de condensação parte de um rendimento perto de 70 % em vez de 88 %, o que baixa todos os SCOP de equilíbrio em cerca de um quinto e vira por completo os casos alemão e espanhol.

Preço eletricidade ÷ gás (2.º semestre 2025)
O que a relação de preços local exige de uma bomba de calor. Preços domésticos do Eurostat, segundo semestre de 2025, com todos os impostos; caldeira de condensação a 88,2 % do quilowatt-hora facturado; poupança anual numa casa que precisa de 12 000 kWh de calor
PaísPreço eletricidade ÷ gás (2.º semestre 2025)SCOP que a bomba tem de baterPoupança anual com SCOP 3,5, depois com 2,5
Portugal1,731,53cerca de 1 077 €, depois cerca de 743 €
França1,781,57cerca de 1 076 €, depois cerca de 724 €
Itália2,001,77cerca de 998 €, depois cerca de 591 €
Média da UE2,362,08cerca de 678 €, depois cerca de 281 €
Espanha2,802,46cerca de 384 €, depois cerca de 18 € — praticamente nada
Alemanha3,162,79cerca de 337 €, depois cerca de 193 € pior do que a caldeira

Exemplo calculado com a nossa ferramenta

Calculadora de BTU de aquecimento

Dados

Área (m²)
18
Clima
Ameno

Resultado

Potência necessária
1440 W
Potência necessária
4913 BTU/h

Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.

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Perguntas frequentes

Onde encontro a necessidade anual de calor da minha casa?
A resposta honesta mais rápida está na factura de gás do ano passado. Pegue nos quilowatts-hora facturados, retire a cozinha e as águas quentes sanitárias se passarem pelo mesmo contador, e multiplique pelo rendimento da caldeira sobre o quilowatt-hora facturado — 88 % para uma de condensação bem afinada, mais perto de 70 % para uma mais velha. Obtém assim o calor que o edifício realmente consumiu, que é uma medição e não uma estimativa. Um cálculo de perdas do instalador dá a potência de ponta, que é o que dimensiona a máquina, e são dois números diferentes para usos diferentes: nunca deixe que lhe apresentem uma potência de ponta como se fosse um consumo anual.
Um SCOP de 2,5 é mesmo o que dão radiadores velhos?
É um número realista para uma bomba ar-água a quem se pede água a 65-70 graus por radiadores dimensionados para uma caldeira, num clima com invernos a sério. A física é implacável: o rendimento de uma bomba de calor baixa à medida que cresce a diferença entre a temperatura da fonte e a de distribuição, por isso cada grau de temperatura de ida que consiga retirar é rendimento recuperado. É por isso que a pergunta útil na visita é a que temperatura os emissores podem ser convencidos a trabalhar, e por isso sobredimensionar os radiadores ou baixar a necessidade faz muitas vezes mais pelo SCOP do que uma máquina mais cara. Trate 2,5 como o caso pessimista contra o qual testar, não como uma previsão.
Uma tarifa elétrica noturna muda a resposta?
Pode, e é uma das poucas alavancas que uma família controla. Os preços deste artigo são médias do Eurostat sobre todos os contratos domésticos de um escalão, pelo que uma tarifa bi-horária que desloque uma parte apreciável do aquecimento para horas baratas baixa o preço efetivo da eletricidade e portanto o SCOP que a bomba tem de atingir. Duas condições decidem se ajuda mesmo: o edifício tem de poder armazenar o calor que produz de noite, o que favorece a construção pesada e o piso radiante e prejudica uma casa leve com radiadores; e a diferença tarifária tem de ser larga o suficiente para contar depois do termo fixo. Faça a conta com o seu preço médio efetivo por quilowatt-hora, não com a tarifa anunciada.
Porquê comparar com uma caldeira de condensação e não com a velha que tenho?
Porque a alternativa honesta não é ficar com a caldeira velha para sempre — é o que compraria se não comprasse uma bomba de calor. Se a sua caldeira está em fim de vida, a compra alternativa é uma de condensação nova, e o capital extra a recuperar é a diferença entre os dois orçamentos, não o preço inteiro da bomba. Comparar o custo de funcionamento de uma bomba nova com o de uma caldeira de vinte anos imputando à bomba o preço completo contra zero é a forma mais comum de fazer estas contas saírem a favor. Use a diferença de orçamentos e a diferença de custo de funcionamento, e a resposta deixa de favorecer alguém.
Estes números incluem águas quentes e arrefecimento?
Não, e as duas omissões contam em sentidos opostos. As águas quentes sanitárias exigem uma temperatura de distribuição mais alta do que o aquecimento, por isso puxam o coeficiente médio anual para baixo — um sistema que aquece divisões a 40 graus e água a 55 não atinge o seu SCOP de aquecimento ao longo do ano. O arrefecimento, pelo contrário, é um serviço que a caldeira a gás não presta de todo: onde os verões são quentes, uma bomba reversível substitui também um ar condicionado, e o custo de funcionamento a imputar-lhe é a soma dos dois. A aritmética deste artigo é só aquecimento, deliberadamente, porque é a única comparação em que existe um número equivalente dos dois lados.

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Ferramentas relacionadas

Esta é uma explicação geral de como funciona um cálculo, não um conselho financeiro, fiscal ou energético. Cada preço, taxa e limiar é dado com o ano a que se aplica e a fonte que o publica, porque estes números mexem-se: os preços da energia são republicados duas vezes por ano, as regras fiscais mudam a cada orçamento e um imposto de transmissão muda assim que uma região legisla. Os exemplos numéricos declaram todos os seus pressupostos e são aritmética, não previsão: mude uma entrada e o veredicto pode mudar com ela. Confirme qualquer número junto da fonte citada, e peça um orçamento para o seu próprio edifício, antes de agir.

Fontes

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