Três versões de vCard, e a mesma pessoa em cada uma
Publicado a 09/09/2026 · 3 min de leitura · Ferramentas de ficheiros
Daniel Okonkwo — Programador front-end e redator de Tecnologia na OneKitly
Desempenho web · Formatos de ficheiro
Verificado a partir de 3 fontes
A versão está na segunda linha de cada ficha, logo após BEGIN:VCARD, e muda a forma como o resto é escrito. Na 2.1, ainda produzida por telefones e clientes de correio antigos, um tipo é um parâmetro nu: TEL;CELL e TEL;WORK;VOICE, sem sinal de igual. Na 3.0, que quase todo o livro de endereços exporta e que toda a gente lê, a mesma linha é TEL;TYPE=CELL e TEL;TYPE=WORK,VOICE. Na 4.0, a norma atual, muitos valores tornam-se URI: TEL;VALUE=uri:tel:+33612345678, e um aniversário escreve-se 19780412 em vez de 1978-04-12. O visualizador lê as três — daí uma ficha vinda de um telefone de 2009 e outra do livro deste ano aparecerem lado a lado — mas não as reescreve umas nas outras: um número 4.0 guarda o prefixo tel: e um aniversário 4.0 guarda a forma compacta. A escrever, a 3.0 viaja mais longe.
A 2.1 marca os tipos sem sinal de igual, a 3.0 é o que toda a gente lê, a 4.0 escreve alguns valores como URI — por isso um telefone pode chegar como tel:+33612345678, prefixo incluído. Saber qual tens explica quase todas as surpresas de importação.
Porque as três versões continuam a circular
Os livros de endereços copiam-se para a frente, não se reescrevem. Uma ficha criada num telefone em 2008 foi exportada, importada e reexportada uma dúzia de vezes desde então, e cada um desses passos conservou a versão em que nasceu, salvo se algo a tivesse atualizado de propósito. O resultado é que um livro em uso é muitas vezes uma mistura, e um ficheiro de quinhentos contactos pode conter as três — daí um leitor que só trata uma parecer perder contactos ao acaso.
O analisador toma aqui os parâmetros como vêm — com sinal de igual ou sem — o que permite abrir de uma vez um ficheiro misturado. O que não faz é normalizar em silêncio uma ficha de uma versão para outra, porque seria uma alteração, e uma alteração que não pediste é a última coisa que queres aplicada de uma vez a quinhentos contactos.
| Linha | vCard 2.1 | vCard 3.0 | vCard 4.0 |
|---|---|---|---|
| Telemóvel | TEL;CELL: | TEL;TYPE=CELL: | TEL;TYPE=cell;VALUE=uri:tel: |
| Aniversário | BDAY:19780412 | BDAY:1978-04-12 | BDAY:19780412 |
| Lido pelo visualizador | Sim | Sim | Sim, prefixo conservado |
| Melhor para escrever | Não — legada | Sim | Só se o destino a pedir |
Perguntas frequentes
- Como sei que versão um ficheiro usa?
- Abre-o em qualquer editor de texto e lê a segunda linha: VERSION:2.1, VERSION:3.0 ou VERSION:4.0. Um único .vcf pode conter centenas de fichas, e podem ser de versões diferentes, já que um ficheiro é apenas fichas escritas umas a seguir às outras — um livro montado a partir de várias fontes muitas vezes é.
- Os meus números importados começam por tel:. Como limpo isso?
- É um ficheiro 4.0 lido literalmente. Exporta para CSV, retira o prefixo com um localizar e substituir na coluna dos telefones e reconstrói o .vcf a partir da folha corrigida — a ida e volta custa-te as etiquetas de tipo, que um número URI 4.0 já tornava incómodas. Se só tiveres uns poucos, corrigi-los no destino é mais rápido.
- Os nomes acentuados e as fotos sobrevivem entre versões?
- Os nomes sim: as três versões levam UTF-8 na prática, e o visualizador descodifica o que lê. As fotos são outra coisa — uma PHOTO integrada é base64 dentro da ficha e pode ocupar centenas de quilobytes sozinha, e nem a exportação CSV nem a JSON a levam. Se as tuas fichas tiverem fotografias, guarda o .vcf como exemplar de referência.
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Fontes
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