A pressão osmótica conta partículas, não moléculas
Publicado a 19/10/2026 · 4 min de leitura · Calculadoras do dia a dia
Sofia Nunes — Redatora de Saúde e Bem-estar na OneKitly
Nutrição · Hidratação
Verificado a partir de 2 fontes
A pressão osmótica é o fator de van 't Hoff vezes a molaridade vezes a constante dos gases vezes a temperatura absoluta — uma equação com a mesma forma da lei dos gases ideais, e pela mesma razão: o que conta é quantas partículas independentes se agitam, não quais. Uma solução 0,15 M de um sal que se dissocia em dois iões produz 7,64 atmosferas à temperatura do corpo, e uma 0,30 M de algo que permanece inteiro produz exatamente as mesmas 7,64. É por isso que o rótulo de um soro fisiológico diz 0,9 por cento: 9 gramas de cloreto de sódio por litro são 0,154 M, e como cada unidade dá dois iões a solução comporta-se como se estivesse a cerca do dobro da concentração.
0,15 M de um sal que se parte em dois e 0,30 M de um soluto que não se parte dão as mesmas 7,64 atmosferas. Só o número de partículas chega à membrana.
O fator dois não é bem dois
Tomar o cloreto de sódio com um fator limpo de 2 dá 0,308 osmoles por litro para uma solução a 0,9 por cento, sensivelmente acima do valor que se costuma citar para o sangue. A diferença é química a sério: em solução uma fração dos iões passa parte do tempo emparelhada em vez de se mover livre, pelo que o fator efetivo está mais perto de 1,85 do que de 2, e 0,154 × 1,85 dá 0,285 — que cai onde deve. A lição generaliza-se. O fator de van 't Hoff é o número de partículas que de facto se comportam de forma independente, não o número escrito na fórmula, e deriva para baixo quando a concentração sobe e os iões se apertam.
A temperatura conta, mas menos do que se suporia
A equação usa a temperatura absoluta, pelo que os doze graus que separam uma bancada a 25 °C de um corpo a 37 °C são doze partes em cerca de trezentas: a mesma solução passa de 7,34 para 7,64 atmosferas, quatro por cento. Quem espera um salto está a pensar em graus Celsius, onde doze em vinte e cinco parece metade a mais. Trabalhar em kelvin não é aqui uma formalidade: é o que mantém a conta honesta, e é a mesma razão por que a pressão de um pneu quase não mexe entre uma manhã fria e uma tarde quente quando a intuição prometia outra coisa.
| Solução | Partículas por litro | Pressão |
|---|---|---|
| 0,15 M, parte-se em dois | 0,30 osmol | 7,64 atm |
| 0,30 M, permanece inteiro | 0,30 osmol | 7,64 atm |
| O mesmo sal a 25 °C | 0,30 osmol | 7,34 atm |
Exemplo calculado com a nossa ferramenta
Calculadora de pressão osmótica
Dados
- Molaridade (mol/L)
- 0,3
- Temperatura
- 74
- Unidade de temperatura
- K
- Fator de van't Hoff (i)
- 2
Resultado
- Pressão osmótica (atm)
- 3,643
- Pressão (kPa)
- 369,162
- Pressão (mmHg)
- 2769
Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.
Refazer com os teus números →Perguntas frequentes
- Porque é essa pressão tão grande?
- Porque é a pressão que seria precisa para parar a osmose por completo, não uma pressão que algo experimente. Sete atmosferas e meia é o impulso necessário para reter a água contra uma membrana que separa essa solução de água pura, e nada num copo ou numa célula está sob tal carga — os dois lados estão normalmente próximos o suficiente em concentração para a diferença líquida ser pequena. O número torna-se real na osmose inversa, onde uma bomba tem mesmo de o exceder: tirar água doce da água do mar é vencer cerca de vinte e cinco a vinte e oito atmosferas, que são a maior parte da fatura energética de uma dessalinizadora.
- É o mesmo que a elevação do ponto de ebulição?
- É a mesma família. Pressão osmótica, elevação do ponto de ebulição, descida do ponto de congelação e descida da pressão de vapor são as quatro propriedades coligativas, todas dependentes do número de partículas dissolvidas e não de quais sejam. Um mole de açúcar e um mole de ureia fazem o mesmo às quatro; um mole de sal de cozinha faz cerca do dobro às quatro. A diferença prática é a sensibilidade: dissolver algo eleva o ponto de ebulição da água uma fração de grau por mole e por quilograma, enquanto a mesma solução gera atmosferas de pressão osmótica — daí uma tecnologia de um lado e uma curiosidade do outro.
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Fontes
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