Ir para o conteúdo
OneKitly

Financiar a empresa: o que o banco olha antes da taxa

Publicado a 17/07/2026 · 19 min de leitura · Ferramentas de negócio

Camille Laurent

Camille LaurentRedatora de Finanças na OneKitly

Fiscalidade · Finanças pessoais

Verificado a partir de 7 fontes

Ver perfil
Em resumo

O banco faz três perguntas por ordem, e a taxa não está entre as duas primeiras. Primeira: a tesouraria que o negócio gera cobre as prestações, deste empréstimo e de tudo o que já é devido? É o rácio de cobertura do serviço da dívida — tesouraria disponível para o serviço da dívida a dividir por capital mais juros do mesmo período — e é a porta. Segunda: se a tesouraria parar, quem paga? São as garantias e a fiança pessoal. Só em terceiro lugar o banco define o preço, e a essa altura o preço é em grande medida o resultado de uma notação interna e não algo que se discuta. A aritmética explica porquê. Pegue numa empresa com 180 000 € de EBITDA, 60 000 € de serviço anual da dívida existente e um pedido de mais 400 000 €. A 4,5 % a cinco anos, o novo empréstimo custa 89 486 € por ano, o serviço total é de 149 486 € e a cobertura dá 1,204. Consiga um ponto inteiro a menos de taxa — uma concessão real, que vale 10 831 € de juros em cinco anos — e a cobertura passa a 1,222. São 0,018. Agora deixe a taxa em paz e peça sete anos em vez de cinco: o novo empréstimo custa 66 721 € por ano, o serviço total cai para 126 721 € e a cobertura salta para 1,420. São 0,216, doze vezes mais. Aceite uma taxa um ponto inteiro pior e leve mesmo assim os sete anos: a cobertura fica em 1,396, ou seja 10,8 vezes a melhoria que a descida de taxa tinha comprado. O contrapeso honesto é que o empréstimo mais longo e mais caro custa mais 35 401 € de juros ao longo da vida. A troca é real e é uma troca: o prazo compra a folga no covenant que faz aprovar o empréstimo, e paga-se em juros. O que o banco tem de lhe perguntar também não é folclore. Desde 30 de junho de 2021, as orientações da Autoridade Bancária Europeia sobre concessão e acompanhamento de empréstimos (EBA/GL/2020/06) obrigam a construir a análise de solvabilidade sobre projeções de fluxos de caixa e análises de sensibilidade, e não apenas sobre garantias. Na Alemanha, o parágrafo 18 da lei bancária proíbe uma instituição de crédito de conceder crédito superior no total a 1,5 milhões de euros, ou a 10 % dos seus fundos próprios de base, sem ter obtido a divulgação da situação económica do mutuário, nomeadamente pela apresentação das contas anuais. Em Espanha, os artigos 1 e 2 da Lei 5/2015 dão a uma PME três meses de pré-aviso antes do cancelamento ou da redução em 35 % ou mais de uma linha de crédito, e um documento normalizado de Informação Financeira gratuito — com a notação de risco que o banco lhe atribui — nos dez dias úteis seguintes a esse pré-aviso. Em França, o artigo L. 313-12 do código monetário e financeiro fixa um pré-aviso mínimo de sessenta dias em qualquer facilidade de duração indeterminada não ocasional, sob pena de nulidade da rutura.

O rácio de cobertura é a porta, a fiança é o segundo preço e a taxa é um resultado. Num empréstimo de 400 000 €, baixar a taxa um ponto inteiro move o rácio de cobertura 0,018 — enquanto dois anos a mais de prazo o movem 0,216. Toda a negociação se joga no sítio errado.

A porta é a cobertura, e ninguém lhe fixa a altura por lei

O rácio de cobertura do serviço da dívida é uma divisão: a tesouraria de que o negócio dispõe para servir a dívida num período, a dividir pelo capital e juros que vencem nesse mesmo período. Acima de 1,00 a empresa paga com a sua exploração; abaixo, paga com outra coisa — o sócio, um descoberto, um fornecedor por pagar. Um banco não empresta a 1,00, porque 1,00 não deixa nada para um trimestre mau: fixa um mínimo acima e escreve-o no contrato como um covenant que testará todos os anos.

Duas coisas sobre esse mínimo vale a pena saber antes de entrar. A primeira: nenhum diploma o fixa. Não existe um rácio de cobertura mínimo legal em parte alguma da União Europeia — o número da sua term sheet é uma decisão comercial daquele banco, sobre aquele setor, naquele momento, e negoceia-se como qualquer cláusula. A segunda, mais útil: o numerador também não está normalizado. Um banco põe o EBITDA em cima; outro deduz imposto e investimento de manutenção para chegar ao que o financiamento de projeto chama tesouraria disponível para o serviço da dívida; um terceiro reintegra a remuneração discricionária do sócio e um quarto recusa. A mesma empresa mostra 1,42 ou 1,05 apenas em função da definição: antes de discutir o limiar, descubra o que entra na fração.

Vire o caso ao contrário e ele passa a ser um objetivo em vez de um veredicto. Com 60 000 € de serviço existente e 400 000 € tomados a 4,5 % a sete anos, o serviço total é de 126 721 € por ano. Para cumprir um covenant de 1,25 a empresa precisa de 158 401 € de tesouraria disponível; a 1,20 precisa de 152 065 € e a 1,50, de 190 081 €. Encurte o mesmo empréstimo para cinco anos e essas exigências passam a 186 858 €, 179 384 € e 224 230 € — o covenant não mudou, o perfil de amortização mudou. É o cálculo mais útil antes da reunião: não se passa hoje, mas que parte da resposta é fixada pela forma do reembolso e não pela saúde do negócio.

O prazo é a alavanca, e vale doze vezes a taxa

É este o cálculo que reordena toda a conversa. Mesma empresa, os mesmos 400 000 €, três variantes. A 4,5 % a cinco anos o serviço anual é 89 486 € e a cobertura 1,2041. Baixe a taxa para 3,5 % — um ponto inteiro, que quase ninguém consegue — e o serviço anual passa a 87 320 € e a cobertura a 1,2218. A concessão de taxa comprou 0,0177 de cobertura. Reponha agora a taxa em 4,5 % e leve sete anos: serviço anual 66 721 €, cobertura 1,4204. O prazo comprou 0,2163, ou seja 12,2 vezes o que comprou a descida de taxa.

A terceira variante fecha o debate. Aceite uma taxa um ponto inteiro pior do que a inicial — 5,5 % — e leve mesmo assim os sete anos. Serviço anual 68 976 €, serviço total 128 976 €, cobertura 1,3956. São 0,1915 de melhoria, ainda 10,8 vezes o que dá um ponto a menos de taxa. Por outras palavras, quem cede um ponto inteiro de margem em troca de dois anos de prazo fica mais de dez vezes melhor no rácio que o comité de crédito vota realmente. A taxa é o número que o mutuário leva à reunião; o prazo é o número que decide.

Nada disto torna o prazo gratuito, e o artigo seria desonesto se parasse aqui. O empréstimo a cinco anos a 4,5 % custa 47 432 € de juros ao longo da vida. O de sete anos a 5,5 % custa 82 833 € — mais 35 401 €, pelos mesmos 400 000 € emprestados. O ponto de taxa que não disputou valia 10 831 € em cinco anos. A troca é explícita: compra cerca de 0,19 de folga de cobertura, e o cumprimento do covenant que vem com ela, por uns 35 000 € de juros repartidos por sete anos. Se compensa depende da distância a que está do mínimo e do que dispara o seu incumprimento — uma cláusula a ler antes de ler a taxa.

O que o regulador obriga o banco a pedir-lhe

A lista de documentos não é o banco a complicar. Desde 30 de junho de 2021, as orientações da Autoridade Bancária Europeia sobre concessão e acompanhamento de empréstimos, EBA/GL/2020/06, obrigam as instituições de toda a União a basear a análise de solvabilidade na capacidade do mutuário de gerar tesouraria e não no valor daquilo que poderia ser penhorado, e a testar essa capacidade contra cenários adversos e não contra um único caso base. As mesmas orientações aplicam-se desde 30 de junho de 2022 aos créditos existentes que entram em renegociação. É por isso que o processo pede projeções e não apenas histórico, e por isso um plano com uma coluna vale menos do que um com três.

O direito nacional acrescenta-lhe arestas duras. O parágrafo 18 da lei bancária alemã proíbe uma instituição de conceder crédito superior no total a 1,5 milhões de euros, ou a 10 % dos seus fundos próprios de base, sem ter obtido a divulgação da situação económica do mutuário, nomeadamente pela apresentação das contas anuais — um dever legal que recai sobre o banco, não uma preferência, e a que só pode renunciar quando as garantias ou os coobrigados tornem o pedido manifestamente desproporcionado. Em França, o Banco de França atribui às empresas uma cotation usada pelos financiadores e pelo Eurosistema para decidir que créditos são aceitáveis como garantia; a escala passou a vinte e duas posições em 8 de janeiro de 2022, substituindo as treze anteriores, e o guia de referência é público. Uma notação que nunca consultou está ainda assim na sala quando o seu processo é discutido.

Espanha foi mais longe do que qualquer um e deu ao mutuário um direito em vez de um dever. Os artigos 1 e 2 da Lei 5/2015, de 27 de abril, obrigam o banco que pretenda cancelar ou reduzir em 35 % ou mais o fluxo de financiamento a uma PME a pré-avisar com pelo menos três meses, e depois a entregar, gratuitamente e em dez dias úteis, um documento normalizado de Informação Financeira. Esse documento contém as declarações feitas à central de riscos, cinco anos de historial de crédito, os movimentos de conta do último ano e — o que importa — a notação que o banco atribui ao mutuário, calculada segundo uma metodologia normalizada fixada pelo Banco de Espanha na Circular 6/2016, de 30 de junho. É o único sítio dos quatro países onde o banco tem de lhe mostrar a opinião que tem de si em forma comparável.

A fiança pessoal é o segundo preço, e a França mudou-a em 2022

Uma fiança pessoal desloca a exposição do financiador do balanço da sociedade para o seu: cubra metade de um empréstimo de 400 000 € e 200 000 € de risco deixam de ser risco de empresa. Toda a gente trata isto como uma formalidade assinada no fim da reunião. É o segundo preço do empréstimo, e é normalmente maior do que o primeiro — um ponto de taxa sobre 400 000 € vale cerca de 4 000 € no primeiro ano, ao passo que uma fiança pode valer os 400 000 € inteiros contra tudo o que possui.

A França reformou isto de uma forma favorável ao mutuário na forma e desfavorável no fundo. A ordonnance de 15 de setembro de 2021, em vigor desde 1 de janeiro de 2022, levou a regra da proporcionalidade para o artigo 2300 do código civil: uma fiança prestada por uma pessoa singular a um credor profissional que fosse manifestamente desproporcionada aos seus rendimentos e património no momento da celebração é agora reduzida ao montante até ao qual podia obrigar-se nessa data. Antes da reforma, o credor simplesmente não podia prevalecer-se dela. A redução em vez da anulação é um estreitamento real da proteção, e não é o que dizem a maioria dos resumos. O artigo 2297 rege a menção que o fiador deve escrever pelo próprio punho, e o artigo 2299 obriga o credor profissional a advertir um fiador pessoa singular quando o compromisso do devedor excede manifestamente os seus meios.

A Alemanha protege a forma e depois retira a proteção aos empresários. O parágrafo 766 do código civil exige que a fiança seja prestada por escrito e exclui expressamente a forma eletrónica — um digitalizado assinado não é uma fiança. O parágrafo 350 do código comercial afasta depois essa exigência quando a fiança constitui um ato de comércio do lado do fiador, que é exatamente a situação de um comerciante a garantir a dívida da sua própria sociedade. Junte que a maioria dos formulários bancários é redigida como fiança solidária, afastando o benefício da excussão prévia, e o resultado prático é uma responsabilidade pessoal rápida, informal e imediatamente exequível. A lição é a mesma em todos os países: a cláusula de fiança merece mais do seu tempo de leitura do que a taxa.

Porque a taxa vem em último, e o que se negoceia de facto

A taxa chega em último porque é calculada, não escolhida. O banco financia-se a um custo, imobiliza fundos próprios regulamentares face à sua exposição segundo uma ponderação que depende da notação interna e da classe de exposição, provisiona a perda esperada, acrescenta uma margem operacional e imprime o resultado. Como os fundos próprios são um dos fatores, a dimensão e a classificação da sua exposição total mudam diretamente o preço: o artigo 501 do regulamento sobre requisitos de fundos próprios, alterado pelo regulamento 2024/1623 aplicável desde 1 de janeiro de 2025, ajusta o requisito de capital sobre exposições não incumpridas a pequenas e médias empresas abaixo de um limiar medido sobre o que todo o grupo deve àquela instituição. Atravesse o limiar e o mesmo mutuário fica estruturalmente mais caro por razões que nada têm a ver com ele.

Portanto a lista do que pode mesmo mover é curta, e a taxa do título não está nela. O prazo e o perfil de amortização, como mostrou a aritmética acima. Um período de carência de capital, que é a mesma alavanca concentrada no primeiro ano. A definição e o nível do covenant, e sobretudo o que dispara o seu incumprimento — um dever de informação, um agravamento de margem ou um vencimento antecipado são três contratos muito diferentes sob a mesma palavra. O âmbito da fiança, a sua duração e se decresce à medida que o empréstimo amortiza. A comissão de montagem e a indemnização por reembolso antecipado. E se o empréstimo é garantido sobre o bem que financia em vez de sobre si.

Vale a pena levar para a sala uma última assimetria, porque atua depois da assinatura. As facilidades permanentes — o descoberto, a linha de desconto — podem ser retiradas, e o pré-aviso de que dispõe é fixado pela lei, não pelo contrato. Em França, o artigo L. 313-12 do código monetário e financeiro exige notificação escrita e um prazo de pré-aviso fixado na concessão, que não pode ser inferior a sessenta dias sob pena de nulidade da rutura, e obriga o banco a fundamentar a pedido; não é devido pré-aviso em caso de comportamento gravemente censurável do beneficiário ou de situação irremediavelmente comprometida. Em Espanha o equivalente são três meses ao abrigo da Lei 5/2015, mais o documento normalizado de informação. Essa diferença conta mais para uma empresa em atividade do que qualquer taxa, porque separa dois meses de três para encontrar outro financiador.

O que o banco verifica, pela ordem por que verifica — e quanto cada item move de facto, num empréstimo de 400 000 € face a 180 000 € de EBITDA e 60 000 € de serviço da dívida existente
FaseO que se medeEfeito no processoFixado por
1. CoberturaTesouraria disponível para o serviço da dívida a dividir por capital mais juros, do novo empréstimo e de tudo o que já é devidoA porta. 1,204 a 4,5 % a cinco anos; um covenant de 1,25 exige 186 858 € de tesouraria disponível a cinco anos, 158 401 € a seteO banco, contratualmente — nenhum diploma fixa um rácio de cobertura mínimo na União
2. Prazo e perfilDuração da amortização, carência, prestação finalA alavanca real: dois anos a mais movem a cobertura 0,2163, contra 0,0177 por um ponto inteiro de taxa — 12,2 vezes maisA negociação — e custa mais 35 401 € de juros a 5,5 % a sete anos do que a 4,5 % a cinco
3. Divulgação e notaçãoContas, projeções, análises de sensibilidade; a notação interna e, em França, a cotation do Banco de FrançaDecide a classe de risco, que decide o requisito de capital, que decide o preçoEBA/GL/2020/06 desde 30 de junho de 2021; parágrafo 18 da lei bancária alemã acima de 1,5 milhões de euros ou 10 % dos fundos próprios de base; a escala do Banco de França de vinte e duas posições desde 8 de janeiro de 2022
4. FiançaÂmbito, duração, se decresce; e se as proteções de forma o abrangemO segundo preço. Um ponto inteiro de taxa sobre 400 000 € vale cerca de 4 000 € no primeiro ano; a fiança pode valer os 400 000 € inteirosFrança: artigos 2297, 2299 e 2300 do código civil desde 1 de janeiro de 2022 — a desproporção reduz agora a fiança em vez de a anular. Alemanha: parágrafo 766 do código civil, afastado para comerciantes pelo parágrafo 350 do código comercial
5. PreçoCusto de financiamento mais requisito de capital mais perda esperada mais margem operacionalUm resultado, não um dado de entrada. Move-se quando a notação se move, ou quando a sua exposição total atravessa um limiar de classificaçãoO regulamento sobre requisitos de fundos próprios, artigo 501 alterado pelo regulamento 2024/1623 aplicável desde 1 de janeiro de 2025
6. Depois da assinaturaO que acontece quando o banco quer sair de uma facilidade permanenteMuitas vezes decisivo para uma empresa em atividade, e nunca na term sheetFrança: sessenta dias mínimos ao abrigo do artigo L. 313-12 do código monetário e financeiro, sob pena de nulidade. Espanha: três meses mais um documento normalizado de informação gratuito ao abrigo da Lei 5/2015 e da Circular 6/2016 do Banco de Espanha
Calculadora de empréstimo para empresasCalcula um empréstimo para empresas pelo que custa de facto: a comissão de abertura é deduzida do que entra na conta, mas os juros incidem sobre o nominal, pelo que a TAEG real ultrapassa a taxa anunciada. A ferramenta resolve essa taxa efetiva, e um pagamento mensal extra opcional mostra os meses e os juros que elimina.Experimentar a ferramenta

Perguntas frequentes

Que rácio de cobertura exigem os bancos?
Não há resposta jurídica, e quem lhe der um único número está a citar um hábito e não uma regra. Nenhum diploma da União Europeia fixa um rácio de cobertura mínimo para o crédito a empresas; o nível da sua term sheet é uma escolha comercial daquele banco, para aquele setor, naquele momento. O que conta mais do que o nível é a definição, porque as mesmas contas dão rácios muito diferentes conforme o que o banco põe no numerador — EBITDA, EBITDA menos imposto e investimento de manutenção, ou tesouraria com a remuneração discricionária do sócio reintegrada. Pergunte qual antes de discutir o limiar, e modele o seu caso das duas maneiras.
Devo então deixar de negociar a taxa?
Não — negoceie-a, mas deixe de a tratar como a decisão. Um ponto inteiro num empréstimo de 400 000 € a cinco anos vale 10 831 € de juros: dinheiro real, que merece um email. Simplesmente não vale tanto como o prazo: esse mesmo ponto melhora o rácio de cobertura 0,018 enquanto dois anos a mais o melhoram 0,216. Por outras palavras, se o empréstimo for recusado a 4,5 % a cinco anos, ganhar a taxa não o salva e reestruturar o reembolso pode. Negoceie a taxa depois de a estrutura estar fechada, não em vez de a fechar.
Pode o banco obrigar-me a afiançar pessoalmente todo o empréstimo?
Pode pedir, e na maior parte do crédito a pequenas empresas pedirá. O que não pode, em França, é prevalecer-se de uma fiança manifestamente desproporcionada aos seus rendimentos e património no dia da assinatura — desde 1 de janeiro de 2022 o artigo 2300 do código civil reduz-a àquilo até ao qual podia obrigar-se nessa data. Repare na mudança: antes da reforma das garantias de 2021 o credor não podia prevalecer-se dela de todo, pelo que a redução é uma proteção mais fraca do que aquela que a maioria dos resumos ainda descreve. Na Alemanha, a forma escrita exigida pelo parágrafo 766 do código civil não protege o comerciante que afiança a sua própria sociedade, porque o parágrafo 350 do código comercial a afasta. Em todos os países o negociável é o montante, a duração e se a fiança decresce à medida que o empréstimo amortiza.
Pode o banco cortar-me o descoberto sem aviso?
Em França e em Espanha não, no caso comum. O artigo L. 313-12 do código monetário e financeiro francês exige notificação escrita e um prazo de pré-aviso fixado na concessão, que não pode ser inferior a sessenta dias, sob pena de nulidade da rutura; o banco deve ainda fundamentar se a empresa pedir, e esses fundamentos não podem ser comunicados a terceiros. Em Espanha, os artigos 1 e 2 da Lei 5/2015 exigem três meses de pré-aviso antes do cancelamento ou da redução em 35 % ou mais de uma facilidade a uma PME, mais um documento normalizado de Informação Financeira gratuito em dez dias úteis. Ambos os regimes caem em caso de comportamento gravemente censurável do beneficiário ou de situação irremediavelmente comprometida — precisamente quando a empresa mais precisa do pré-aviso.
Porque quer o banco três anos de contas de uma empresa com dois?
Porque o processo que tem de montar é definido pelo modelo de notação, não pela sua história, e um ano em falta é um dado que o modelo não consegue preencher. Onde não há histórico, os substitutos são projeções testadas contra cenários adversos — exatamente o que as orientações da Autoridade Bancária Europeia exigem desde 30 de junho de 2021 — mais conforto de terceiros: uma sociedade de garantia mútua, uma garantia pública, um cossignatário, ou garantia sobre o bem financiado. É por isso que a uma empresa jovem se propõe muitas vezes um montante menor num prazo mais curto contra uma fiança mais forte, e não uma taxa mais alta: o banco não está a pôr preço ao risco, recusa-se a assumi-lo. Construa as projeções num formato que o banco possa stressar em vez de um que fique bonito, e conte que lhe perguntem o que acontece se a faturação cair um quinto.

Artigos que podem interessar-lhe

Todos os guias

Ferramentas relacionadas

Esta é uma explicação geral de como funcionam um cálculo e um conjunto de regras, não um conselho financeiro, fiscal, jurídico ou contabilístico. Cada número, limiar e menção legal é dado com o ano a que se aplica e o diploma que o fixa, porque são revistos e porque os rácios de cobertura, as regras de fiança e as menções obrigatórias de um orçamento diferem consoante o país, o setor e o contrato. Nada aqui é uma oferta de crédito nem um parecer jurídico, e um documento redigido a partir de um artigo não é um documento verificado por um profissional: confirme tudo aquilo em que se apoiar junto da fonte citada e de um consultor qualificado antes de assinar.

Fontes

Detetaste um erro neste artigo?