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Uma só leitura má multiplica o desvio-padrão por vinte

Publicado a 21/10/2026 · 3 min de leitura · Calculadoras do dia a dia

Lena Hoffmann

Lena Hoffmann — Redatora de Ciência e Educação na OneKitly

Matemática · Física

Verificado a partir de 2 fontes

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Em resumo

Toma sete leituras agrupadas à volta de 2,5 — 2,3, 2,5, 2,4, 2,6, 2,4, 2,5, 2,7 — e o seu desvio-padrão vale 0,12. Muda a última para 9,8, uma vírgula mal posta ou uma sonda suja, e o desvio-padrão passa a 2,57, vinte vezes mais, enquanto a média deriva de 2,49 para 3,50. O desvio absoluto mediano não faz nem uma coisa nem outra: vale 0,10 antes e 0,10 depois, porque tanto a mediana como as distâncias a ela se escolhem por ordem e não por grandeza, e um único valor extremo não pode mover uma ordem mais do que uma posição. Multiplicado pelo fator convencional 1,4826, esse desvio estima um desvio-padrão de 0,148 — que é o que a série não contaminada de facto mostra.

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Substitui 2,7 por 9,8 numa série de sete leituras e o desvio-padrão passa de 0,12 para 2,57. O desvio absoluto mediano não mexe nada: 0,10 nos dois casos.

O ponto de rutura é o número que conta

Toda a estatística de resumo tem uma fração dos dados que se pode corromper antes de ela se tornar arbitrária, e para a média e o desvio-padrão essa fração é zero: um único valor levado suficientemente longe arrasta qualquer uma delas para onde se quiser. A mediana e o desvio absoluto mediano sobrevivem até metade dos dados estar errada, o máximo que uma estatística pode atingir — para lá de metade, não há forma de distinguir os valores corrompidos dos bons. Essa distância de zero a um meio é toda a diferença prática, e é por isso que registos de instrumentos, fluxos de sensores e tudo o que tenha um modo de falha plausível se resumem com estatísticas de ordem e não com médias.

Duas estatísticas diferentes partilham as mesmas iniciais

Desvio absoluto mediano e desvio absoluto médio abreviam-se ambos como MAD no uso corrente, e não são a mesma grandeza: o primeiro toma a mediana das distâncias à mediana, o segundo a média das distâncias à média. Só o primeiro é robusto — o segundo continua a ter um ponto de rutura nulo, porque a média aparece nele duas vezes. Um número rotulado MAD sem mais precisão é portanto ambíguo, e a diferença entre as duas leituras pode valer um fator de vinte precisamente no tipo de dados onde alguém recorreu a uma estatística robusta. Escreve qual das duas usas.

Último valor 2,7
Sete leituras, uma delas alterada
EstatísticaÚltimo valor 2,7Último valor 9,8
Média2,4863,500
Desvio-padrão0,1242,574
Mediana2,502,50
Desvio absoluto mediano0,100,10

Exemplo calculado com a nossa ferramenta

Calculadora de desvio absoluto mediano (MAD)

Dados

Números
2.3, 2.5, 2.4, 2.6

Resultado

Mediana
2,45
MAD (bruto)
0,1
σ estimado (×1,4826)
0,148

Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.

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Perguntas frequentes

De onde vem o 1,4826?
De fazer com que as duas estatísticas coincidam em dados bem comportados. Para uma distribuição normal, o desvio absoluto mediano vale cerca de 0,6745 desvios-padrão, pelo que dividir por isso — equivalentemente multiplicar por 1,4826 — transforma um MAD numa estimativa de desvio-padrão que coincide quando nada correu mal. O fator é próprio da distribuição normal e de nenhuma outra, coisa a lembrar antes de citar um MAD escalado para dados visivelmente assimétricos. Sem escalar, o MAD continua a ser uma medida de dispersão perfeitamente válida; o fator existe só para que o número possa ser comparado com desvios-padrão citados noutro lado.
Deve preferir-se sempre a versão robusta?
Não, e o preço da robustez é a eficiência. Sobre dados limpos e bem comportados, o desvio-padrão extrai mais informação do mesmo número de observações do que o MAD — usa a grandeza real de cada valor e não a sua ordem, vantagem bem real quando nenhum valor está errado. A escolha versa portanto sobre o que se antecipa: estatísticas robustas para medições que podem falhar, clássicas para dados de confiança. Calcular ambas é muitas vezes a opção mais informativa, porque uma grande distância entre elas é em si mesma o achado: diz que algo nos dados não se comporta como o resto.

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Fontes

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