Vinte por cento de rendibilidade dos capitais próprios, metade emprestada
Publicado a 30/09/2026 · 3 min de leitura · Ferramentas de negócio
Camille Laurent — Redatora de Finanças na OneKitly
Fiscalidade · Finanças pessoais
Verificado a partir de 2 fontes
A rendibilidade dos capitais próprios é o resultado líquido a dividir pelos capitais próprios: 50.000 ÷ 250.000 = 20 %. O número só é interessante depois de decomposto nos três fatores que o produzem. Se o volume de negócios for 500.000, a margem líquida é 10 %; com 500.000 de ativo total, a rotação do ativo é 1,0; e com 250.000 de capitais próprios face a esse ativo, o multiplicador é 2,0. Multiplica 10 % × 1,0 × 2,0 e voltas aos 20 %. A mesma empresa financiada por inteiro pelos donos — 500.000 de capitais próprios, multiplicador 1,0 — rende exatamente 10 %. Metade do número anunciado é a alavancagem, e a alavancagem não sabe em que sentido o ano vai correr. Comparar duas empresas pela rendibilidade sem comparar os seus multiplicadores é comparar quanto pediram emprestado e chamar-lhe desempenho.
50.000 de resultado líquido sobre 250.000 de capitais próprios dão 20 % de rendibilidade. O mesmo lucro sobre 500.000 de capitais próprios dá 10 % — os dez pontos de diferença vêm da dívida, não do negócio.
Um denominador que encolhe lisonjeia o rácio
Os capitais próprios descem quando uma empresa recompra ações, paga um grande dividendo ou regista um prejuízo, e cada um desses gestos sobe a rendibilidade sem mais um euro de lucro. Uma firma que tenha recomprado o suficiente pode mostrar um número espetacular sobre uma base residual pequena, e outra cujos prejuízos acumulados tenham comido quase todo o capital pode publicar o melhor rácio do seu setor a caminho da insolvência. Lê em conjunto o numerador e a história do denominador, e trata qualquer melhoria brusca deste rácio como uma pergunta: qual dos dois se mexeu?
A alavancagem funciona nos dois sentidos
O multiplicador de 2,0 que transformou 10 % em 20 % aplica-se às perdas com a mesma fidelidade. Reduz a metade o resultado operacional da empresa alavancada: a sua conta de juros não se reduz com ele, pelo que o que chega aos donos cai mais de metade; a rendibilidade da empresa sem dívida segue simplesmente o resultado em baixa. Essa assimetria explica que credores e acionistas leiam o mesmo rácio de forma diferente — um multiplicador a subir é melhor notícia para os segundos do que para os primeiros, até ao ano em que deixa de ser. O hábito útil é ver quanto valeria o rácio com o multiplicador de uma versão sem dívida do mesmo negócio, e tratar a diferença como o preço do empréstimo.
| Capitais próprios | Multiplicador | Rendibilidade |
|---|---|---|
| 250.000 | 2,0 | 20 % |
| 500.000 | 1,0 | 10 % |
Exemplo calculado com a nossa ferramenta
Calculadora de rentabilidade dos capitais próprios (ROE)
Dados
- Lucro líquido
- 50 000,00 €
- Capital próprio
- 250 000,00 €
Resultado
- Rentabilidade dos capitais próprios
- 20%
Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.
Refazer com os teus números →Perguntas frequentes
- Capitais próprios de abertura, de fecho ou médios?
- A média de abertura e fecho, sempre que os capitais próprios se tenham mexido muito durante o ano. O lucro é ganho ao longo de doze meses enquanto os capitais próprios de fecho já o contêm por inteiro: dividir pelo fecho subestima a rendibilidade e dividir pela abertura sobrestima-a. A diferença é trivial numa sociedade estável e grande numa que tenha aumentado capital, pago um dividendo extraordinário ou recomprado ações — precisamente os casos em que o rácio é examinado com mais atenção.
- Em que difere da rendibilidade do ativo?
- A rendibilidade do ativo divide o mesmo lucro por tudo o que a empresa usa em vez de pela parte dos donos, pelo que responde a quão bem os ativos são geridos e não depende de quem os pagou. A relação é exata: rendibilidade dos capitais próprios = rendibilidade do ativo × multiplicador. Publicar ambas, ou uma com o multiplicador ao lado, conta a história toda — o primeiro número é gestão, o segundo é financiamento, e só o par explica um bom ano.
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Fontes
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