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Avalanche ou bola de neve: o que a diferença custa realmente

Publicado a 07/04/2026 · 4 min de leitura · Calculadoras financeiras

Camille Laurent

Camille LaurentRedatora de Finanças na OneKitly

Fiscalidade · Finanças pessoais

Verificado a partir de 2 fontes

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Em resumo

O método avalanche paga primeiro a taxa de juro mais alta e é matematicamente ótimo; o método bola de neve paga primeiro o saldo mais pequeno e liquida dívidas inteiras mais cedo. Com três dívidas de 2 000 € a 22 %, 6 000 € a 18 % e 1 200 € a 9 % e um orçamento de 400 € por mês, a avalanche liquida tudo em 28 meses com 1 961 € de juros e a bola de neve leva 29 meses e 2 216 € — uma diferença de 255 €, menos de 3 % do saldo. Este é o resumo honesto: a avalanche ganha sempre no papel, mas por um valor suficientemente pequeno para que importe mais o método que vai realmente manter durante dois anos do que o que é ótimo.

Um método ataca a taxa de juro mais alta, o outro o saldo mais pequeno. Num conjunto realista de dívidas a diferença é menor do que se pensa — eis o cálculo.

Como funciona realmente cada método

Ambos os métodos começam igual: pagar o mínimo de cada dívida para que nenhuma entre em incumprimento e depois atirar cada euro sobrante a um único alvo. A única coisa que muda é qual a dívida que recebe esse sobrante. A avalanche escolhe a taxa mais alta, porque é onde o dinheiro foge mais depressa. A bola de neve escolhe o saldo mais pequeno, porque é a dívida que desaparecerá mais cedo.

Quando um alvo é liquidado, o seu pagamento mínimo junta-se ao bolo e o montante inteiro passa para a dívida seguinte. Esse arrasto é a razão de ambos os métodos acelerarem: o orçamento mensal nunca baixa, pelo que cada dívida seguinte é atacada por uma soma maior do que a anterior. O nome bola de neve vem desse efeito, mas a avalanche usa-o igualmente.

Porque a diferença é tão pequena

A avalanche só ganha terreno enquanto as taxas diferirem de forma apreciável. No exemplo acima, as duas dívidas grandes estão a 22 e 18 % — quatro pontos de diferença sobre saldos que se extinguem em menos de dois anos, tempo insuficiente para a capitalização abrir um fosso real. Os 255 € poupados são reais, mas representam 3 % do capital, não uma transformação.

A diferença alarga-se em exatamente duas situações: quando uma dívida tem uma taxa muito superior às outras, por exemplo um cartão de loja a 30 % ao lado de um crédito pessoal a 6 %, e quando o total demora anos em vez de meses a extinguir-se. Se nenhuma se aplica ao seu caso, trate a escolha como questão de temperamento e não de aritmética.

O que defende o método matematicamente pior

Liquidar uma dívida inteira é uma meta visível, e terminar algo empurra a continuar. É todo o argumento da bola de neve: coloca as dívidas liquidadas no início, de modo que o plano produz cedo a prova de que funciona. A investigação sobre comportamento de pagamento mostra que quem fecha primeiro os saldos pequenos aguenta melhor o plano, e um plano abandonado ao sexto mês custa muito mais do que os 255 € que a avalanche teria poupado.

Existe um compromisso prático: aplique a avalanche, mas se uma dívida for pequena o suficiente para se liquidar em um ou dois meses, elimine-a primeiro mesmo assim. Ganha uma vitória precoce, o arrasto cresce mais cedo e o desvio custa alguns euros de juros.

Meses até liquidar
As mesmas três dívidas, os mesmos 400 € por mês, duas ordens de pagamento
MétodoOrdem de ataqueMeses até liquidarJuros pagos
AvalancheTaxa de juro mais alta primeiro281 961 €
Bola de neveSaldo mais pequeno primeiro292 216 €
DiferençaO que a ordem ótima traz1 mês255 €
Calculadora de liquidação de dívidas (avalanche ou bola de neve)Acrescente cada dívida com o saldo, a taxa e a prestação mínima, junte o que puder pagar a mais, e a ferramenta simula mês a mês as duas ordens clássicas: a avalanche ataca a taxa mais alta, a bola de neve o saldo mais pequeno. A avalanche custa sempre menos juros; a bola de neve costuma liquidar a primeira dívida mais cedo. Ambos os números são mostrados e a escolha é sua.Experimentar a ferramenta

Perguntas frequentes

Algum dos métodos funciona se eu só pagar os mínimos?
Não. Ambos os métodos são formas de afetar dinheiro acima dos mínimos, pelo que sem excedente não há nada a afetar e nenhum se aplica. Se o seu orçamento só cobre os mínimos, o problema a resolver primeiro é o orçamento ou a taxa de juro, não a ordem de pagamento.
Onde encaixam os saldos promocionais a 0 %?
Fora de ambas as classificações. Um saldo a 0 % não custa nada enquanto a promoção durar, pelo que vai em último — até à data de fim, quando a taxa salta para a padrão e passa normalmente a ser a mais alta que tem. Anote o vencimento e mova-o para a frente da fila alguns meses antes.
Devo manter um fundo de emergência enquanto pago?
Mantenha um pequeno. Enviar cada euro sobrante para a dívida é ótimo no papel, mas uma única despesa imprevista volta então ao cartão a 20 % e apaga meses de progresso. Uma almofada modesta de um mês de despesas essenciais custa alguns juros e impede o plano de ruir à primeira surpresa.

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