Vale a pena liquidar o crédito automóvel mais cedo? A regra e as suas três exceções
Publicado a 22/05/2026 · 7 min de leitura · Calculadoras financeiras
Camille Laurent — Redatora de Finanças na OneKitly
Fiscalidade · Finanças pessoais
Verificado a partir de 2 fontes
Liquide antecipadamente apenas se a taxa do crédito for superior ao rendimento líquido de imposto do uso mais seguro que poderia dar ao mesmo dinheiro — e só depois de ter fundo de emergência e de resolver as dívidas mais caras. O cálculo: um crédito de 20 000 € a 7 % de TAEG a 60 meses custa 396 € por mês e 3 761 € de juros se for até ao fim. Liquidá-lo no final do mês 24 custa 12 826 €, contra 14 257 € de prestações em falta, pelo que poupa 1 431 € de juros. Mas se esse dinheiro estava numa conta a 4 %, o ganho verdadeiro é de 663 € e não de 1 431 € — o ponto de equilíbrio é exatamente a taxa do crédito, 7 %, onde as duas opções chegam ao mês 60 com o mesmo dinheiro. Duas coisas podem apagar o ganho: uma comissão de reembolso antecipado e os juros pré-calculados com devolução pela regra dos 78, que sobre o mesmo crédito cota 12 888 € em vez de 12 826 € e devolve menos 62 €. E liquidar um crédito automóvel a 7 % enquanto se arrasta um cartão a 20 % é estritamente pior do que pagar o cartão.
Liquidar um crédito automóvel de 20 000 € a 7 % ao fim de dois anos poupa 1 431 € de juros — mas só 663 € são ganho real se o dinheiro rendia 4 %, e os juros pré-calculados podem retirar 62 € ou mais.
A regra de decisão, dita uma vez
O dinheiro usado para liquidar um crédito rende exatamente a taxa do crédito, garantida e livre de imposto, porque cada euro de capital retirado é um euro que deixa de gerar juros. A comparação não é, portanto, entre liquidar e não liquidar. É entre a taxa do crédito e a taxa líquida de imposto de qualquer outro destino desse dinheiro. Acima da taxa do crédito, guarde o dinheiro; abaixo, liquide. No exemplo, o ponto de equilíbrio não é aproximadamente 7 %: é 7 % exato — ponha a alternativa a correr precisamente à taxa do crédito e as duas trajetórias chegam ao mês 60 ao cêntimo.
Essa regra é precedida de uma ordem de operações. Primeiro um fundo de emergência, porque o dinheiro enterrado num crédito automóvel não sai de lá quando a caldeira avaria e voltará como dívida de cartão a 20 %. Depois a dívida mais cara: liquidar um crédito automóvel a 7 % enquanto um cartão corre a 20 % é estritamente pior do que pagar o cartão, em treze pontos por ano em cada euro movido. Só quando ambas estão resolvidas é que a comparação entre taxa do crédito e taxa da poupança decide alguma coisa.
Para onde vão os 1 431 € quando se olha de perto
A poupança de manchete é a diferença entre as prestações em falta, 14 257 €, e o valor de liquidação, 12 826 €. Essa diferença são juros realmente evitados. É também o número que cada anúncio de refinanciamento exibe, e exagera o benefício, porque assume em silêncio que os 12 826 € não faziam nada. Ponha essa soma numa conta a 4 % e retire de lá as 36 prestações em falta: não chega, o mês 60 chega com 663 € em falta. São esses 663 €, e não 1 431 €, que a liquidação antecipada valia face a essa alternativa concreta.
A mesma aritmética explica porque liquidar no fim do prazo é quase inútil. Um crédito amortizável concentra os juros no início: neste crédito, 2 330 € dos 3 761 € totais são cobrados nos primeiros 24 meses. Liquide no mês 48 e a poupança cai para 175 €, porque a essa altura quase toda a prestação é capital. Se um credor o pressiona a refinanciar no quarto ano para fugir aos juros, já quase não há juros de que fugir.
Juros pré-calculados e comissões: leia o contrato primeiro
Tudo o que ficou dito supõe um crédito de juro simples, em que os juros são calculados todos os meses sobre o capital que realmente resta. Um crédito com juros pré-calculados funciona ao contrário: todo o custo do crédito é fixado na assinatura e somado à dívida, e pagar cedo dá-lhe uma devolução de juros não vencidos, não um capital menor. Quando essa devolução segue a regra dos 78, é ponderada para que mais do encargo conte como vencido nos primeiros meses. No mesmo crédito, o valor ao mês 24 passa a 12 888 € em vez de 12 826 € e a poupança cai de 1 431 € para 1 369 € — 62 € retirados por nada.
Esses 62 € parecem irrisórios porque a taxa é modesta. Aplique a mesma devolução a um contrato de alto risco — 20 000 € a 15 % a 72 meses, liquidados ao mês 24 — e a regra dos 78 custa 428 € em vez de 62 €, porque o custo do crédito que redistribui é de 10 449 € e não de 3 761 €. Junte uma comissão de reembolso antecipado, muitas vezes uma percentagem do capital em dívida, e a erosão acumula-se. Antes de transferir seja o que for, peça ao credor um valor de liquidação por escrito com data de validade e compare-o com o capital que a sua própria amortização dá; se o valor for maior, a diferença é o que o contrato lhe cobra por sair mais cedo.
| Cenário | Valor de liquidação | Juros poupados | Ganho líquido face a manter o dinheiro a 4 % |
|---|---|---|---|
| Crédito amortizável normal | 12 826 € | 1 431 € | 663 € |
| Juros pré-calculados, devolução regra dos 78 | 12 888 € | 1 369 € | 593 € |
| Idem, mais uma comissão de 1 % | 13 017 € | 1 240 € | 447 € |
Perguntas frequentes
- Liquidar o crédito automóvel mais cedo prejudica o meu histórico de crédito?
- Pode baixar ligeira e temporariamente uma pontuação, porque encerrar uma conta a prestações retira um crédito em pagamento ativo e encurta a antiguidade média das contas abertas. O efeito é pequeno e reverte-se. Os modelos de scoring são nacionais e ponderam isto de forma diferente: trate-o como nota de rodapé, não como razão. Uns pontos de pontuação não valem 1 431 € de juros, nem valem liquidar um crédito que não pode pagar com folga.
- É melhor um pagamento único ou acrescentar um extra a cada prestação?
- Ganha o que chegar mais cedo ao capital, pelo que um pagamento único hoje bate o mesmo montante espalhado por um ano — mas só se o credor o imputar ao capital e não o tratar como adiantamento de prestações futuras. Diga-o por escrito ao enviar. Os extras mensais são mais fáceis de manter e também funcionam: no crédito de 20 000 € a 7 %, encurtam o calendário assim que entram, porque os juros do mês seguinte incidem sobre um capital menor.
- Como sei se o meu crédito é de juro simples ou pré-calculado?
- Veja como o contrato formula a dívida. Um crédito de juro simples indica um capital e uma taxa, e o seu extrato tem um saldo que desce todos os meses. Um crédito pré-calculado indica um montante total a pagar fixado na assinatura, muitas vezes com uma cláusula que descreve como se devolvem os juros não vencidos em caso de liquidação antecipada — a expressão regra dos 78, ou uma referência ao método da soma dos dígitos, é o sinal. Se a cláusula existir, peça o valor por escrito antes de decidir: a poupança será menor do que a coluna dos juros sugere.
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Este artigo é explicativo. Expõe como funciona um cálculo e o que muda o resultado; não é aconselhamento financeiro, não tem em conta os seus rendimentos, a sua fiscalidade nem as suas outras dívidas, e não lhe pode dizer o que fazer. As condições de crédito, as regras fiscais e os regimes de crédito estudantil variam por país e por contrato — leia o seu e consulte um profissional regulado antes de comprometer dinheiro.
Fontes
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