O custo das vendas é o que saiu da prateleira, não o que compraste
Publicado a 22/09/2026 · 3 min de leitura · Ferramentas de negócio
Camille Laurent — Redatora de Finanças na OneKitly
Fiscalidade · Finanças pessoais
Verificado a partir de 2 fontes
Stock inicial mais compras menos stock final. Quarenta mil no início, cento e vinte mil comprados, trinta e cinco mil no fim: 125 000 saíram porta fora. Repara que ultrapassa as compras. Cinco mil do que foi vendido estava no armazém desde antes de o período começar, pelo que o custo de o vender pertence a este período mesmo que o dinheiro tenha saído num anterior. É esse todo o sentido da fórmula e a razão por que o diário de compras não a pode substituir: comprar é um facto de tesouraria e vender é um facto contabilístico, e caem em meses diferentes. Uma empresa que lê as suas compras como custo das vendas publica um resultado que oscila ao ritmo das entregas em vez do comércio.
Stock inicial 40 000, compras 120 000, stock final 35 000 — o custo das vendas é 125 000, e ultrapassa as compras porque a prateleira entregou 5 000 do que já lá estava.
A fórmula conta tudo o que saiu, incluindo o que nunca foi vendido
É uma subtração entre duas contagens: tudo o que desapareceu sem ser vendido fica portanto em silêncio dentro da resposta — quebras, roubo, amostras, abates, unidades mal lidas na caixa. Cómodo para a contabilidade e enganador para a gestão, porque os mesmos 125 000 podem ser um período saudável ou um período com mil euros de perda enterrados lá dentro. Ler o custo das vendas ao lado de um número de quebra é o que separa os dois — um só número não pode fazer os dois trabalhos.
O que conta como compra decide a resposta
O transporte à entrada, os direitos aduaneiros e o custo de pôr a mercadoria em estado vendável entram nas compras; o custo de a levar ao cliente, não. Mete a entrega ao cliente aqui e a margem bruta desce enquanto os gastos operacionais parecem artificialmente leves — o resultado total não muda e todo o rácio construído sobre a margem bruta fica errado. Fixa a fronteira uma vez, escreve-a e aplica-a em cada período: a comparação entre períodos vale mais do que o número absoluto de qualquer um deles.
| Linha | Montante |
|---|---|
| Stock inicial | 40 000 |
| Compras | + 120 000 |
| Stock final | − 35 000 |
| Custo das vendas | 125 000 |
Exemplo calculado com a nossa ferramenta
Calculadora de custo das mercadorias vendidas (COGS)
Dados
- Inventário inicial
- 20 000,00 €
- Compras
- 50 000,00 €
- Inventário final
- 15 000,00 €
Resultado
- Custo das mercadorias vendidas
- 55 000,00 €
Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.
Refazer com os teus números →Perguntas frequentes
- Uma empresa de serviços tem custo das vendas?
- Tem o equivalente, chamado em geral custo dos serviços ou custos diretos: a mão de obra e os materiais consumidos na execução do trabalho, por oposição aos gastos gerais que existiriam de qualquer modo. Não há stock, portanto a aritmética de inicial e final desaba e o número são simplesmente os custos diretos do período. A disciplina que conta é a mesma: o que é direto e o que é gasto geral decide-se uma vez e mantém-se.
- Porque é que o meu stock final é também o inicial seguinte?
- Porque nada acontece entre os dois momentos — a prateleira à meia-noite do último dia de um período é a mesma um segundo depois. Essa continuidade faz com que um erro numa contagem seja um erro em dois períodos, com sinais opostos: sobrestimar o stock final subestima o custo das vendas deste período e sobrestima o do seguinte. Uma contagem errada uma vez vê-se como um solavanco entre duas margens brutas consecutivas, e é assim que costuma ser encontrada.
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Fontes
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