Sete por cento durante dez anos duplica quase exatamente
Publicado a 24/09/2026 · 3 min de leitura · Calculadoras financeiras
Camille Laurent — Redatora de Finanças na OneKitly
Fiscalidade · Finanças pessoais
Verificado a partir de 2 fontes
O crescimento composto multiplica em vez de somar: 10.000 a 7 % ao ano durante dez anos dão 10.000 × 1,07¹⁰ = 19.671,51, uma subida de 96,7 % e não os 70 % que dariam dez somas anuais de 700. Os 26,7 pontos extra são o crescimento do crescimento, e chegam quase por inteiro na segunda metade do período — os anos um a cinco somam 4.025, os anos seis a dez somam 5.646. É também por isso que a regra dos 72 funciona: 72 ÷ 7 = 10,3 anos para duplicar, e o cálculo diz que a duplicação acontece realmente uns meses depois do ano dez. A mesma aritmética corre nos dois sentidos: uma subida de preços de 7 % ao ano duplica um custo numa década tão fielmente como duplica uma poupança.
10.000 a crescer 7 % ao ano tornam-se 19.671,51 ao fim de dez anos — uma subida de 96,7 %. A regra dos 72 previa 10,3 anos para duplicar, e acertou com quatro meses de margem.
A média de duas taxas anuais não é a taxa de crescimento
Ganha 50 % num ano e perde 50 % no seguinte: a média aritmética é zero enquanto o dinheiro caiu 25 %, porque 1,5 × 0,5 = 0,75. O crescimento composto usa a média geométrica, que para esse par vale −13,4 % ao ano, e a diferença entre as duas médias não é um detalhe de arredondamento — é a razão pela qual um investimento volátil apresentado pelo seu rendimento médio anual pode estar a perder dinheiro todo o tempo. Sempre que o crescimento se encadeia entre períodos, só o número geométrico descreve o que aconteceu.
Dois pontos de comissões comem um terço do ganho
Repete os mesmos dez anos a 5 % em vez de 7 %: 10.000 tornam-se 16.288,95, o ganho cai de 9.671,51 para 6.288,95, e dois pontos de custo anual levaram 35 % do lucro. É o argumento mais sólido das finanças pessoais e não precisa de qualquer previsão para ser verdadeiro, porque a comissão é certa e o rendimento não. Alonga o horizonte e piora — a trinta anos, esses mesmos dois pontos levam mais de metade.
| Período | Valor no fim | Somado no período |
|---|---|---|
| Anos 1 a 5 | 14.025,52 | 4.025,52 |
| Anos 6 a 10 | 19.671,51 | 5.646,00 |
Exemplo calculado com a nossa ferramenta
Calculadora de crescimento composto
Dados
- Valor inicial
- 20 000,00 €
- Taxa por período (%)
- 8,8
- Número de períodos
- 20
Resultado
- Valor final
- 108 045,80 €
- Ganho total
- 88 045,80 €
- Crescimento global
- 440,23%
Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.
Refazer com os teus números →Perguntas frequentes
- Porque é que a regra dos 72 usa 72?
- O tempo exato de duplicação é ln 2 ÷ ln(1 + r), e ln 2 vale cerca de 0,693: a constante matematicamente pura estaria perto de 69,3 em capitalização contínua. Prefere-se 72 porque se divide limpo por 2, 3, 4, 6, 8, 9 e 12, e porque esse pequeno ajuste em alta compensa justamente a passagem da capitalização contínua à anual nas taxas realmente usadas. É exata a poucos meses entre cerca de 4 % e 12 %, e desvia-se nitidamente fora dessa faixa.
- Devo usar crescimento nominal ou real?
- Real, se o que importa é o que o dinheiro comprará. Fazer crescer 10.000 a 7 % enquanto os preços sobem 3 % deixa cerca de 3,9 % de crescimento real ao ano — o quociente 1,07 ÷ 1,03, não a subtração — e ao fim de dez anos isso são 14.637 em poder de compra de hoje, não 19.671. Os números nominais só são os certos quando a obrigação é nominal, como uma prestação fixa que a inflação encolhe em silêncio.
Artigos que podem interessar-lhe
Todos os guias →Ferramentas relacionadas
Fontes
Detetaste um erro neste artigo?