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A relação cintura-anca explicada: os limiares e onde pôr a fita

Publicado a 15/07/2026 · 6 min de leitura · Calculadoras de saúde

Sofia Nunes

Sofia NunesRedatora de Saúde e Bem-estar na OneKitly

Nutrição · Hidratação

Verificado a partir de 2 fontes

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Em resumo

A relação cintura-anca é o seu perímetro de cintura dividido pelo perímetro da anca e, sendo um quociente, não tem unidades: sai o mesmo número quer meça em centímetros quer em polegadas. Os limiares da OMS para a obesidade abdominal são 0,90 ou mais nos homens e 0,85 ou mais nas mulheres. Onde põe a fita conta pelo menos tanto como o limiar: a cintura mede-se no ponto médio entre a última costela palpável e o topo do osso da anca, no fim de uma expiração normal, e a anca no seu ponto mais largo à volta das nádegas. Medir a cintura à altura do umbigo — o erro mais comum — acrescenta muitas vezes cinco a sete centímetros num adulto com abdómen volumoso, o que pode transformar uma relação de 0,90 em 0,96 sem que nada no corpo tenha mudado.

A OMS situa a obesidade abdominal numa relação de 0,90 ou mais nos homens e 0,85 ou mais nas mulheres. Mas medir no sítio errado altera o resultado mais do que o próprio limiar — eis exatamente onde vai a fita.

Onde vai a fita, com precisão

Fique de pé, pés juntos, braços relaxados ao lado do corpo, e expire normalmente. Para a cintura, localize a última costela que consiga palpar e o bordo superior do osso da anca, e coloque a fita no ponto médio entre os dois — na maioria dos adultos fica acima do umbigo, não sobre ele. A fita deve ficar horizontal em toda a volta e justa o suficiente para não escorregar, mas nunca tão apertada que marque a pele. Leia o número no fim da expiração, sem encolher a barriga.

Para a anca a regra é mais simples: a circunferência mais larga à volta das nádegas, onde quer que caia em si, com a fita horizontal e sem roupa enrugada por baixo. Faça cada medição duas vezes e tire a média, porque um centímetro de folga move a relação cerca de um centésimo. Pense num adulto com 100 cm de anca: uma cintura de 90 cm dá 0,90, e a mesma pessoa medida à pressa no umbigo, com 96 cm, dá 0,96. O mesmo corpo, do outro lado da linha da OMS.

O que a relação mede realmente

É um indicador grosseiro de onde o seu corpo armazena gordura, não de quanta tem. A gordura abdominal, em particular a visceral que rodeia os órgãos, associa-se mais de perto à tensão arterial, aos lípidos no sangue e à diabetes tipo 2 do que a gordura das ancas e das coxas. É essa toda a razão de ser da relação: duas pessoas com o mesmo peso e altura podem ter perfis metabólicos muito diferentes conforme a distribuição, e o IMC não vê essa diferença.

A fraqueza de um quociente é que pode mexer-se pelo motivo errado. O número sobe tão facilmente por a anca ser estreita como por a cintura ser larga, pelo que uma pessoa magra de bacia estreita pode ultrapassar o limiar com muito pouca gordura abdominal. É por isso que o relatório da OMS publica limiares só de cintura ao lado da relação, e por isso os dois devem ler-se em conjunto. A OMS nota ainda que os seus limiares vêm sobretudo de populações europeias e que valores de cintura mais baixos podem ser mais apropriados para pessoas de origem do sul da Ásia e de algumas origens do leste asiático.

O que o número pode e não pode decidir

É uma medida de rastreio, não um diagnóstico. Ultrapassar 0,85 ou 0,90 não significa que tenha uma doença; significa que a gordura abdominal é um dos pontos a discutir na próxima consulta, a par da tensão arterial, de um perfil lipídico e de uma glicemia — que são as medições que de facto mudam a conduta. Ninguém é tratado com base numa fita métrica.

Há também situações em que a relação simplesmente não se aplica. Não é válida durante a gravidez, não tem limiares estabelecidos para crianças e adolescentes, e pode dar alta em pessoas com muito músculo e pouca gordura no tronco. Após cirurgia abdominal, com ascite ou com uma hérnia, a medida da cintura está a medir outra coisa que não gordura. Em todos esses casos o número é ruído, e o mais honesto que uma calculadora pode fazer é dizê-lo.

Relação cintura-anca e limiares de cintura, por sexo
O que se lêHomensMulheresDe onde vem o número
Relação abaixo do limiarMenos de 0,90Menos de 0,85Não classificado como obesidade abdominal pela OMS
Relação igual ou superior ao limiar0,90 ou mais0,85 ou maisConsulta de peritos OMS 2008: obesidade abdominal, risco metabólico substancialmente maior
Cintura isolada, risco aumentado94 cm ou mais80 cm ou maisLimiar separado da OMS só para a cintura, lido em conjunto com a relação
Cintura isolada, risco substancialmente maior102 cm ou mais88 cm ou maisSegundo limiar da OMS só para a cintura
Tabelas de três faixas baixo, moderado e alto que circulam onlineOs limites variam consoante o siteOs limites variam consoante o siteNão é uma classificação da OMS; trate as faixas extra como sem fonte

Exemplo calculado com a nossa ferramenta

Calculadora da relação cintura-anca

Dados

Cintura (cm)
88
Anca (cm)
110
Sexo
Mulher

Resultado

Relação cintura-anca
0,8

Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.

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Perguntas frequentes

O que é mais útil, a relação cintura-anca ou o IMC?
Nenhum substitui o outro, porque respondem a perguntas diferentes: o IMC descreve o tamanho global em relação à altura, e a relação descreve onde esse peso se situa. A OMS recomenda lê-los em conjunto, com o perímetro da cintura como terceiro dado. Muitos clínicos usam também a cintura dividida pela altura, com um valor abaixo de 0,5 como regra prática, precisamente porque exige apenas uma medição e é mais difícil de errar.
Devo inspirar ou encolher a barriga ao medir?
Nem uma coisa nem outra. A medição faz-se no fim de uma expiração normal, com o abdómen relaxado. Encolher a barriga ou medir em plena inspiração pode reduzir a cintura três centímetros ou mais, o suficiente para mover a relação duas ou três centésimas e mudá-lo de lado do limiar. Para que o número seja útil ao longo do tempo, a única coisa que conta é fazê-lo sempre da mesma forma.
A relação pode piorar enquanto estou a perder peso?
Sim, e não é sinal de que algo esteja mal. A gordura não se perde de forma uniforme, pelo que ancas e coxas podem reduzir mais depressa do que o abdómen durante algum tempo, o que faz subir a relação mesmo com ambas as medidas a descer. Vigie o próprio valor da cintura no mesmo período: se está a baixar, a tendência é a certa, faça o que fizer a relação de mês para mês.

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Este artigo é informação geral, não aconselhamento médico. Os ciclos, as gravidezes e os corpos variam; só uma parteira ou um médico que conheça o seu historial lhe pode dizer o que é normal para si. Contacte-os perante qualquer sintoma que a preocupe.

Fontes

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