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Cobrir dez vezes os juros não diz nada sobre reembolsar o empréstimo

Publicado a 30/09/2026 · 3 min de leitura · Ferramentas de negócio

Camille Laurent

Camille Laurent — Redatora de Finanças na OneKitly

Fiscalidade · Finanças pessoais

Verificado a partir de 2 fontes

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Em resumo

A cobertura de juros é o resultado operacional a dividir pela conta de juros: 500.000 ÷ 50.000 = 10. Uma cobertura de dez vezes lê-se como muito segura, e nos seus próprios termos é — a empresa poderia perder noventa por cento do resultado operacional e continuar a pagar os juros. O que o rácio nunca pergunta é se o empréstimo se reembolsa, porque o capital não figura nele. Uma empresa com um empréstimo bullet a vencer no próximo ano e outra com a mesma dívida a amortizar em vinte anos podem mostrar um 10× idêntico, e só uma tem de encontrar o saldo inteiro em doze meses. A segunda coisa que ignora é a taxa: se a mesma dívida for refinanciada a 3,6 vezes o custo, os juros passam a 180.000 e a cobertura cai para 2,78 sem uma única venda perdida.

500.000 de EBIT contra 50.000 de juros dão uma cobertura de 10×. Refinancia a uma taxa 3,6 vezes maior e a mesma empresa cobre 2,78× — e nenhum dos dois números olhou para o capital.

O EBIT é um resultado contabilístico, o juro um pagamento em dinheiro

O numerador pode ser grande enquanto a conta bancária está vazia. O resultado operacional conta vendas faturadas e ainda não cobradas, e é reduzido por amortizações que ninguém desembolsou este ano — dois ajustamentos em sentidos opostos e nenhum deles em caixa. Uma empresa cujas contas a receber cresceram mais depressa do que as vendas pode cobrir dez vezes os juros na demonstração de resultados e mesmo assim falhar uma data de pagamento. Os credores sabem-no, daí que o covenant seja muitas vezes escrito sobre EBITDA ou sobre uma medida de fluxo, e daí o interesse de o mutuário recalcular o mesmo rácio sobre o fluxo operacional antes de acreditar na versão confortável.

O rácio com que se deve lê-lo

A cobertura de juros e a cobertura do serviço da dívida respondem às duas metades da mesma pergunta: pode a empresa pagar o custo da sua dívida e pode devolvê-la? Uma cobertura de juros alta com um serviço fraco é a assinatura de um mutuário à vontade este ano e a refinanciar no próximo; o inverso — juros mal cobertos e tudo a amortizar devagar — indica um mutuário sem margem perante uma subida de taxas. Nenhum dos dois rácios é um veredicto sozinho, e citar o mais lisonjeiro é hábito bastante espalhado para que um credor peça sempre o outro.

500.000 de EBIT, uma empresa, duas contas de juros
JurosCoberturaResultado que se pode perder antes
50.00010,00×90 %
180.0002,78×64 %

Exemplo calculado com a nossa ferramenta

Calculadora de cobertura de juros (TIE)

Dados

EBIT (lucro operacional)
250 000,00 €
Despesas com juros
45 000,00 €

Resultado

Cobertura de juros (×)
5,556

Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.

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Perguntas frequentes

Que cobertura pedem geralmente os credores?
Varia por setor mais do que por regra, e a variação segue a estabilidade dos resultados. Uma utility regulada com receitas contratadas pode financiar-se a uma cobertura que alarmaria um credor perante uma construtora, porque o resultado do próximo ano é em larga medida conhecível na primeira e não na segunda. O que vale em qualquer setor é o teste de esforço mais do que a comparação: calcula que queda do resultado operacional leva a cobertura a 1,0 — aqui 90 % — e pergunta se um ano assim já aconteceu no passado recente do setor.
Devem incluir-se os juros capitalizados?
Sim, se a pergunta é se o dinheiro aparece. Os juros capitalizados no custo de um ativo em construção saem da demonstração de resultados mas não da conta bancária, pelo que uma cobertura calculada só sobre o gasto financeiro contabilizado parecerá melhor do que a saída real do ano. O mesmo vale para os juros acumulados no saldo do empréstimo em vez de pagos: não são o custo de caixa deste ano, são o capital maior do próximo. Tira o número da demonstração de fluxos ou do plano de amortização, não da linha que a contabilidade levou a gastos.

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Fontes

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