Um DSCR de 1,25 é o colchão do credor, não o teu
Publicado a 30/09/2026 · 3 min de leitura · Ferramentas de negócio
Camille Laurent — Redatora de Finanças na OneKitly
Fiscalidade · Finanças pessoais
Verificado a partir de 2 fontes
Divide o rendimento operacional líquido pelo serviço total da dívida — capital e juros, não só juros — e 150.000 ÷ 120.000 dá 1,25. É o número a que a maioria dos credores comerciais subscreve, e ultrapassá-lo é em geral comunicado como conforto. Inverte-o e o conforto afina: em exatamente 1,25 o ativo ganha mais 30.000 do que deve, pelo que os rendimentos só têm de cair um quinto para a cobertura chegar a 1,00 e cada euro de renda restante ir direto ao banco. Um vazio longo, uma quota de condomínio que dispara ou a saída de um inquilino em quatro bastam sozinhos. O limiar existe para proteger a recuperação do credor, e o mutuário que queira a sua própria margem tem de a construir acima do covenant em vez de ler o covenant como tal.
150.000 de rendimento operacional líquido contra 120.000 de serviço da dívida dão uma cobertura de 1,25 — o limiar habitual. Significa também que uma queda de 20 % nos rendimentos apaga a cobertura por inteiro.
O serviço suportado não é um montante de empréstimo
Os 120.000 que este ativo suporta são uma anuidade, e convertê-la em empréstimo exige uma taxa e um prazo. Dez mil por mês durante vinte e cinco anos valem cerca de 1.711.000 emprestados a 5 %, cerca de 1.895.000 a 4 % e cerca de 1.415.000 a 7 %. O edifício não mudou entre essas três linhas; nada dos inquilinos, da renda ou do telhado é diferente. Só as taxas moveram quase meio milhão daquilo que o mesmo rendimento consegue suportar, e é por isso que um processo confortável na assinatura pode falhar o seu covenant no refinanciamento sem que nada tenha corrido mal no imóvel.
O que entra no rendimento operacional líquido
As rendas cobradas, menos tudo o que custa manter o imóvel arrendado: gestão, seguro, foro, manutenção, encargos não repercutíveis e uma provisão realista para desocupação. Não a prestação do empréstimo, que é o denominador, nem as amortizações contabilísticas, que são um lançamento e não dinheiro que sai. A rubrica mais esquecida é a reserva para obras — um telhado ou uma caldeira não aparecem em ano nenhum e depois aparecem de uma vez, e um rácio de cobertura calculado sem fundo de reserva descreve um edifício que nunca envelhece.
| Rendimento operacional líquido | Cobertura | Serviço suportado a 1,25× |
|---|---|---|
| 150.000 | 1,25 | 120.000 |
| 135.000 | 1,125 | 108.000 |
| 120.000 | 1,00 | 96.000 |
Exemplo calculado com a nossa ferramenta
Calculadora do rácio de cobertura do serviço da dívida (DSCR)
Dados
- Resultado operacional líquido (NOI)
- 75 000,00 €
- Serviço total da dívida (capital + juros)
- 108 000,00 €
Resultado
- DSCR (×)
- 0,694
- Serviço da dívida suportável a 1,25×
- 60 000,00 €
Estes números são produzidos pela calculadora abaixo, não escritos à mão — são recalculados sempre que a ferramenta muda.
Refazer com os teus números →Perguntas frequentes
- O que acontece se o rácio for incumprido durante o empréstimo?
- Depende inteiramente da redação do contrato, e vale mais lê-lo antes de assinar do que depois de incumprir. As consequências habituais vão do bloqueio de caixa — as rendas excedentes ficam retidas numa conta bloqueada em vez de distribuídas — ao reembolso parcial obrigatório para repor o rácio, até um caso de incumprimento formal que permite ao credor exigir o empréstimo. Muitos contratos preveem ainda um prazo de sanação e um direito de injetar capital. A diferença entre esses desfechos é um parágrafo, não um uso de mercado: pergunta qual se aplica a ti.
- Um empréstimo só de juros melhora o rácio?
- Mecanicamente sim, porque tirar o capital do denominador reduz a prestação e aumenta o rácio, e é precisamente por isso que os credores costumam especificar sobre que versão o seu covenant é medido. A dívida, essa, não diminui: espera no final do prazo, quando todo o saldo terá de ser refinanciado ou pago às taxas e valores que existirem então. Um rácio que só passa porque o capital foi diferido descreve uma obrigação mensal menor e uma obrigação única maior.
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Fontes
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